Preço da consulta de psicologia: quanto cobrar em Portugal

J
João MotaFounder Heed
Publicado a
7 min de leitura
Neste artigo

Não há tabela oficial para o preço da consulta de psicologia. Vê as referências de mercado e como calcular o teu preço a partir dos custos, das sessões e das contribuições.

Uma balança com moedas num prato e um relógio no outro, que representam o equilíbrio entre preço e tempo

"Quanto devo cobrar?" é uma das primeiras perguntas de quem abre consultório, e uma das que mais se adia. Muitos psicólogos escolhem o preço da consulta de psicologia a olhar para os colegas sem perceber primeiro se esse valor é suficiente para cobrir as despesas e tornar a prática sustentável.

Neste artigo vês o que diz a OPP sobre honorários, que referências de mercado existem em Portugal e como calcular um preço que pague a tua prática, com um exemplo passo a passo.

Existe uma tabela oficial de preços?

Não. A Ordem dos Psicólogos não define preços para as consultas. O Código Deontológico da OPP dá apenas dois princípios (ponto 5.20):

  • os honorários devem representar uma justa retribuição pelos serviços prestados;
  • devem ser discutidos com o cliente antes de começar a relação profissional, tal como os serviços complementares (deslocações, relatórios ou pareceres).

O preço é, por isso, uma decisão tua. O que podes fazer é tomá-la com números.

Quanto custa uma consulta de psicologia em Portugal

Os dados públicos são poucos e já têm muitos anos:

  • Num inquérito da DECO feito em 2015 a 240 locais com consultas de psicologia clínica para adultos, o preço médio foi de 55 euros. O valor mais pedido na primeira consulta foi 60 euros e, a partir da segunda, 50 euros (DECO PROteste).
  • Um documento da OPP do mesmo ano refere um custo médio de cerca de 60 euros no privado e nota que a primeira consulta costuma ser um pouco mais cara e mais longa (OPP, 2015).
  • Plataformas de serviços indicam hoje intervalos de 30 a 65 euros por sessão de psicologia clínica (Zaask), mas são dados de mercado, não estudos.

Estes valores ajudam-te a perceber os preços praticados no mercado. E há um dado que chama a atenção: desde 2015, os preços pouco subiram, apesar do aumento significativo do custo de vida.

Mas saber quanto cobram os outros não chega. O preço das tuas consultas também tem de fazer sentido face às tuas despesas e ao número de sessões que consegues realizar.

Como calcular o preço da consulta de psicologia

O preço certo parte de quatro números. Faz as contas por ano, para entrar com férias e semanas mais calmas.

1. O rendimento que queres ter

Quanto queres que sobre por ano depois de pagares todos os teus custos e encargos. Conta com o IRS à parte, porque depende da tua situação.

2. Os custos fixos

Renda, comissões software, seguro, contabilista, supervisão, formação, quotas da OPP e material.

3. A Segurança Social

Se não tens contabilidade organizada, o rendimento relevante de prestação de serviços é 70% do que recebes, e a taxa dos trabalhadores independentes é 21,4% (Guia Prático da Segurança Social). Na prática, cerca de 15% do que recebes vai para contribuições. No primeiro ano de atividade pode haver isenção; confirma o teu caso.

4. As sessões que vais mesmo dar

Não é a agenda ideal. É o número de sessões por semana que realmente consegues realizar, depois de faltas e cancelamentos, multiplicado pelas semanas que trabalhas por ano.

Um exemplo: um psicólogo que dá consultas online

Imagina que trabalhas exclusivamente online, a partir de casa. Como não precisas de arrendar um consultório, tens custos fixos mais baixos, mas continuas a ter despesas com software, contabilidade, seguros e outras ferramentas de trabalho.

Vamos considerar os seguintes valores:

  • Rendimento desejado: 24 000 € por ano, antes de IRS
  • Custos fixos: 200 € por mês, ou seja, 2400 € por ano
  • Sessões efetivas: 20 por semana, durante 44 semanas, ou seja, 880 sessões por ano
  • Segurança Social: cerca de 15% do que recebes, para simplificar o cálculo

Neste cenário, precisas de faturar cerca de 31 100 € por ano. Depois de descontares aproximadamente 4700 € para a Segurança Social e 2400 € de despesas, sobram os 24 000 € pretendidos.

A dividir pelas 880 sessões, precisas de cobrar pelo menos 35,40 € por consulta, antes de IRS.

Mas e se, em vez de 20 sessões, conseguires realizar apenas 15 por semana? Nesse caso, para manteres o mesmo rendimento, o valor mínimo sobe para 47,10 € por consulta.

Este cálculo ajuda-te a definir o teu preço mínimo por sessão, ou seja, o valor abaixo do qual não consegues atingir os teus objetivos financeiros.

A partir daqui, podes definir um preço mais elevado, que reflita também a tua experiência, formação, especialização e o valor que ofereces aos teus pacientes.

O objetivo não é descobrir quanto deves cobrar, mas perceber qual é o mínimo que precisas de cobrar.

IVA, recibos e outros serviços

Os atos de psicologia clínica estão isentos de IVA ao abrigo do artigo 9.º do Código do IVA, segundo a Autoridade Tributária. A OPP defende uma leitura mais ampla da isenção, mas reconhece que formação, recrutamento e testes psicotécnicos ficam fora dela (comunicado da OPP). As duas posições não coincidem por completo, por isso confirma com um contabilista antes de definires o preço de workshops ou trabalho para empresas.

Define também o preço dos serviços que não são consultas: relatórios, contactos com escolas, sessões de avaliação mais longas.

Primeira consulta, pacotes e preço social

Algumas decisões que convém tomar de início:

  • Primeira consulta: podes cobrar mais se for mais longa, ou o mesmo valor para não criar uma barreira à entrada. O importante é que o cliente saiba antes.
  • Pacotes de sessões: dão previsibilidade, mas complicam a gestão se o cliente desistir a meio. Define por escrito o que acontece às sessões não usadas.
  • Preço social: se quiseres ter vagas a preço reduzido, define quantas e com que critério, para não decidires caso a caso.
  • Faltas e cancelamentos: combina a regra no início e põe-na no consentimento informado.

Como aumentar o preço sem perder clientes

Os custos sobem todos os anos e o preço também deve ser revisto. Algumas regras simples:

  1. Revê uma vez por ano, sempre na mesma altura.
  2. Começa pelos novos clientes. É mais fácil aplicar o novo preço a quem chega.
  3. Avisa com antecedência os clientes atuais, por exemplo com dois meses.
  4. Explica sem pedir desculpa. Uma frase chega: "A partir de janeiro, a consulta passa a custar X euros."
  5. Pensa nos casos especiais. Se um cliente não conseguir acompanhar o aumento, decide se manténs o preço anterior durante algum tempo.

Se estás a começar, vê também o artigo Abrir consultório de psicologia: 9 erros do primeiro ano, onde falamos de custos, Segurança Social e faltas.

Este artigo tem fins informativos e não substitui o aconselhamento de um contabilista certificado ou jurista.

Perguntas frequentes

Quanto custa em média uma consulta de psicologia em Portugal?

Não há dados oficiais recentes. O último inquérito da DECO, de 2015, apontava para uma média de 55 euros, e plataformas de serviços indicam hoje entre 30 e 65 euros por sessão de psicologia clínica.

A Ordem dos Psicólogos define o preço das consultas?

Não. O Código Deontológico só pede que os honorários sejam uma justa retribuição e que sejam combinados com o cliente antes de começar.

As consultas de psicologia têm IVA?

Os atos de psicologia clínica estão isentos de IVA ao abrigo do artigo 9.º do Código do IVA. Atividades como formação, recrutamento ou testes psicotécnicos ficam fora da isenção.

A primeira consulta deve ser mais cara?

Não há regra. Muitos psicólogos cobram mais na primeira consulta por ser mais longa; outros mantêm o mesmo valor. O importante é o cliente saber o preço antes de marcar.

Comece agora

Seja a melhor escolha para os seus pacientes com o software de psicologia Heed.

Comece Grátis